Alenquer registou constrangimentos no primeiro mês da urgência regional de obstetrícia

Foi a 16 de março que a urgência de Ginecologista/Obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira encerrou com a criação da urgência regional de obstetrícia. Um mês depois, apesar de os dados oficiais apontarem para um balanço positivo, João Nicolau, presidente da Câmara Municipal de Alenquer, alerta para vários constrangimentos.

Depois do encerramento da urgência de Ginecologista/Obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Estuário do Tejo apresentou um balanço do primeiro mês de funcionamento sem esta urgência. 

Entre 16 de março e 15 de abril, realizaram-se 51 partos no Hospital de Vila Franca de Xira. Segundo a ULS, o número está em linha com os primeiros meses de 2026 e representa um aumento face ao último trimestre de 2025. 

A unidade salienta que estes resultados refletem o investimento no serviço de Ginecologia e Obstetrícia, nomeadamente na contratação de médico, na retoma das cirurgias e na criação de uma consulta aberta. Em abril, realizaram-se 27 consultas de obstetrícia e 11 de ginecologia.

Apesar deste indicadores, João Nicolau, considera que a situação continua longe de ser estável. O autarca salienta que os partos realizados têm sido maioritariamente programados, através de indução, o que nem sempre corresponde à realidade clínica: “Nem sempre é possível fazer essa programação e nem sempre a biologia está alinhada com a calendarização, afirma, apontando para a incerteza vivida pelas grávidas. 

Outro dos principais problemas identificados prende-se com o encaminhamento dos casos urgentes para o Hospital de Loures, inicialmente definido como unidade de referência, onde funciona a urgência regional de obstetrícia. De acordo com os dados recolhidos junto dos Bombeiros Voluntários de Alenquer e da Merceana, “nos 30 dias em que a urgência regional esteve aberta, houve pelo menos 14 momentos em que foi declarado o constrangimento da urgência”.

Na perspetiva do autarca, a solução adotada revela-se “insuficiente, com constrangimentos em cerca de metade dos dias”, defendo o reforço de médicos no Hospital de Vila Franca de Xira e a reabertura da urgência obstétrica. Os municípios da região já solicitaram reuniões com grupos parlamentares e pretendem levar o tema à Assembleia da República, no âmbito de uma petição que reúne os vários concelhos afetados e que já foi entregue no Parlamento. 

Sem dados concretos sobre o encaminhamento das grávidas nos períodos de constrangimento mantém-se a incerteza quanto às alternativas encontradas. Ainda assim, o autarca sublinha a preocupação geral: “Não é, de maneira nenhuma, uma situação de tranquilidade no momento de dar à luz”.

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