Perante a discussão repetida do mapa de pessoal, entretanto rejeitado mais uma vez na reunião de câmara de dia 20 de abril, Francisco Guerra apontou falhas no processo de construção da proposta e na articulação com a oposição. O vereador referiu que houve falta de partilha de informação e clarificou que não existiu qualquer contributo formal solicitado à oposição. Segundo explicou, na última reunião tinha sido dado ao Executivo o benefício de uma nova oportunidade, na sequência de um compromisso assumido pelo vereador independente Tiago Pedro, no sentido de permitir a reformulação da proposta com base em nova documentação.
Sobre a persistência do impasse político, Francisco Guerra mostrou surpresa com o arrastar do processo e com a ausência de uma solução estruturada, deixando a ideia de que o problema exige uma abordagem mais profunda do que decisões pontuais.
A propósito da gestão de recursos humanos e da despesa associada, o vereador do TODOS defendeu a necessidade de reorganização interna da Câmara Municipal, sublinhando que a situação atual é insustentável: “se nós já temos uma despesa com pessoal desta dimensão, então antes de contratar mais alguém, nós temos que reorganizar e ver como é que os outros concelhos conseguem ter menos custos”. Francisco Guerra apontou ainda os dados comparativos da região e do país, referindo que o Município se encontra acima da média: “a média do Oeste é 35% e nós temos 43%”, acrescentando que “a média nacional é 30%”, no que diz respeito aos gastos com pessoal.
Outro dos temas abordados foi a proposta de criação de um gabinete de monitorização e captação de fundos comunitários, medida defendida pelo vereador como estratégica para o futuro do concelho. Francisco Guerra argumentou que o Município não deve limitar-se ao seu orçamento próprio e destacou o potencial dos fundos europeus: “podemos estar a falar de fundos comunitários que representam cinco vezes mais do que o nosso orçamento”, afirmou. Nesse sentido, referiu exemplos de outras autarquias, como Torres Vedras e Odivelas, onde estruturas semelhantes já estão em funcionamento.
O vereador relatou ainda conversas informais com o presidente da Câmara, onde terá defendido a importância dessa estratégia, reforçando que se trata de uma ferramenta essencial para melhorar a capacidade de investimento municipal.
No plano político, Francisco Guerra destacou a abertura da oposição para trabalhar em soluções conjuntas, nomeadamente em contexto de crise, como a das recentes intempéries. Recordou reuniões onde toda a oposição, incluindo os vereadores do PSD, Chega e Movimento Independente, demonstrou disponibilidade para colaborar na criação de respostas extraordinárias: “mesmo assim toda a oposição continuou a manifestar disponibilidade”, referiu.
Em jeito de balanço, o vereador do TODOS considerou que o atual Executivo revela dificuldades na adaptação ao contexto político de maioria relativa. Na sua perspetiva, existe um desfasamento entre a forma como o presidente da Câmara atua e a realidade governativa: “o Sr. Presidente da Câmara tem dificuldade em lembrar-se sistematicamente que preside a uma Câmara num regime de minoria”, afirmou, acrescentando que essa postura condiciona o diálogo e a construção de soluções conjuntas.



