Durante a conversa, o autarca fez um balanço dos primeiros cinco meses de mandato, descrevendo um ambiente inicialmente estável e de diálogo entre executivo e oposição. “Temos conseguido dialogar os nossos pontos de vista sem grande tensão e alarido”, referiu, destacando a cordialidade entre as partes, apesar das diferenças políticas.
Ainda assim, os acontecimentos mais recentes vieram expor fragilidades no funcionamento do processo político. Tiago Pedro revelou detalhes da reunião privada entre os sete vereadores, realizada na semana anterior à votação da revisão orçamental, descrevendo esse momento como “despolitizado e convergente”. Segundo explicou, houve entendimento quanto às prioridades, nomeadamente a necessidade de avançar com cinco obras consideradas essenciais.
Apesar dessa convergência inicial, o vereador considera que faltaram condições para viabilizar a proposta. “Havia a expectativa de encontrar uma matriz com números, estratégia e documentos concretos, mas foi tudo muito verbal”, afirmou. Tiago Pedro sublinhou ainda que foi assumido o compromisso de enviar documentação de suporte que permitisse sustentar a decisão, algo que acabou por não acontecer em tempo útil. “Isso não aconteceu”, reforçou.
Para o autarca, esta falha foi determinante para o chumbo da revisão, defendendo que um processo mais estruturado poderia ter evitado o impasse. “Era importante termos dados que garantissem que a proposta passaria, sem obrigar a esperar mais tempo”, acrescentou.
Outro dos temas abordados foi o aumento de 5,43% na tarifa da água no concelho. Deixou um alerta quanto à eventual criação ou gestão de uma empresa municipal no setor, defendendo que deve ser liderada por perfis com experiência técnica. “Alenquer não precisa de mais um político à frente de uma empresa municipal”, afirmou.
Quanto ao futuro do mandato, o vereador mostrou-se disponível para colaborar com o executivo, defendendo uma postura de responsabilidade política. “Não fui a eleições por lugares, mas pela paixão que tenho pela terra”, disse, sublinhando que o interesse do concelho deve estar acima de divergências partidárias. “Temos que cumprir aquilo que acordamos.”
O ciclo de entrevistas prossegue nas próximas semanas com os restantes eleitos e o presidente da Câmara Municipal de Alenquer, num contexto em que a discussão política local continua marcada pela questão orçamental.
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