A proposta, apresentada pelo presidente da autarquia, João Nicolau, tinha como objetivo ajustar o orçamento municipal às consequências das intempéries registadas no final de janeiro e início de fevereiro, que provocaram elevados prejuízos no concelho, e surgiu a partir de uma reunião privada dos vereadores do executivo.
Durante a discussão do ponto, o autarca explicou que a revisão previa mais de um milhão de euros para fazer face aos estragos, incluindo apoio às freguesias mais afetadas. João Nicolau admitiu ainda que a recuperação total dos anos (estimados em cerca de 14 milhões de euros) terá de ser faseada ao longo dos próximos anos.
Para acomodar estes custos, o executivo propôs desviar verbas de outras áreas, nomeadamente dos eventos culturais. Segundo o presidente, foram retirados 250 mil euros a este setor, com ajustes em iniciativas como as Festas do Espírito Santo e a Feira da Ascensão.
Já em relação ao festival Alma do Vinho, João Nicolau explicou que a redução será menor, tendo em conta o impacto económico do evento. O presidente recordou que a edição de 2025 gerou 470 mil euros de receita, estando previstos 500 mil euros para a edição deste ano.
“É um evento que tem forte impacto na economia local, nomeadamente no alojamento e na restauração, e também serve de promoção para os produtores de vinho, muitos deles afetados pelo mau tempo”, afirmou.
A proposta gerou críticas por parte da oposição. O vereador do PSD, Francisco Guerra, chegou a sugerir que o ponto fosse retirado da ordem de trabalhos para reformulação, acusando o executivo de não respeitar o que tinha sido discutido numa reunião privada entre vereadores.
Segundo o vereador do PSD, o documento apresentado “não foi o que foi falado na reunião privada”, considerando que existia uma gestão pouco clara dos recursos públicos e apontando para aumentos em algumas despesas associadas a eventos.
João Nicolau rejeitou as críticas, afirmando que existe “uma confusão na leitura e interpretação dos valores”, explicando que a diferença se deve ao facto de as verbas para eventos passarem agora a estar previstas logo no início do ano, permitindo lançar concursos conjuntos e potencialmente reduzir custos.
Também o vereador independente Tiago Pedro questionou a proposta, defendendo maior contenção nas despesas e a procura de parcerias externas para financiar eventos, de forma a reduzir o investimento direto do município.
Por sua vez, Carlos Sequeira, do CHEGA, reconheceu a necessidade de responder aos estragos provocados pelo mau tempo, mas criticou o aumento previsto no mapa de pessoal, que inclui 73 novos postos de trabalho, considerando que isso irá aumentar o encargo da autarquia.
Após o debate, foi decidido votar separadamente os dois documentos.
A 1.ª Revisão ao Orçamento e Grandes Opções do Plano de 2026 acabou por ser chumbada, com os votos contra dos vereadores do PSD, CHEGA e do vereador independente Tiago Pedro.
Também a 1.ª Alteração ao Mapa de Pessoal de 2026 foi rejeitada, com os votos contra da oposição.



