Programa de Obesidade Infantil com novos contornos na pandemia

Este sábado assinala-se o Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade

Antes da Covid-19 entrar em todos os noticiários e conversas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já alertava para uma outra pandemia: a obesidade.
Segundo dados da OMS, desde 1975 que a obesidade quase triplicou em todo o mundo, afetando mais de 650 milhões de adultos.

O surgimento da Covid-19 obrigou as famílias a passar mais tempo em casa, o que tem preocupado as autoridades de saúde, que alertam para a possibilidade de o problema da obesidade vir a aumentar. “Com a pandemia da covid-19 as pessoas começaram a passar mais tempo em casa, e, por isso, têm mais oportunidades para ir ao frigorífico comer alguma coisa, ao mesmo tempo que passaram a realizar menos exercício físico”, explica Paulo Franco, vereador da Câmara Municipal de Alenquer com o pelouro da saúde.


Com o objetivo de combater a obesidade infantil, a autarquia criou um programa, destinado às crianças dos 5 aos 6 anos, que consiste no acompanhamento de crianças identificadas como tendo excesso de peso, garantindo a estas crianças as ferramentas necessárias para uma melhor qualidade de vida. A partir do momento em que as crianças são diagnosticadas pelo Centro de Saúde como tendo excesso de peso, e mediante autorização dos pais, passam a integrar este programa que disponibiliza consultas de nutrição, de psicologia e aulas de natação, que por causa da pandemia tiveram de ser suspensas.


Em 2020, o projeto fez três anos de existência e iria ser um momento de transformação da iniciativa. A Câmara Municipal de Alenquer estabeleceu protocolos com diversas coletividades do concelho, que a par das aulas de natação, iriam também proporcionar a estas crianças a possibilidade de fazerem parte das diferentes modalidades que estas associações promovem de forma gratuita.

Pandemia obrigou a alterações

Tal como em tudo o resto, também aqui a pandemia obrigou a várias mudanças e o projeto teve de passar para o online. Os cerca de 10 alunos que integraram o projeto em 2020, voltam em 2021 a fazer parte desta iniciativa. As consultas de nutrição e psicologia são feitas através dos meios digitais e a prática de exercício físico é incentivada através de vídeos com atividades para realizar em casa.

Outra novidade que o ano de 2021 trouxe para o projeto foi o Passaporte de Alimentação, um trabalho desenvolvido pela equipa encarregue do projeto e que consiste num pequeno livro onde as crianças podem registar o que comeram e fazer uma auto-avaliação do seu comportamento alimentar. “É um documento importante porque é uma forma didática de as crianças passarem informação quando são contactadas nas consultas virtuais”, salienta Paulo Franco.


O projeto já ajudou cerca de 40 crianças do concelho e, segundo o vereador, os resultados têm sido positivo: “Estamos a falar de amostras pequenas, mas o que se constata é que com o acompanhamento das consultas de obesidade, há uma percentagem significativa de crianças que acaba por voltar ao seu peso normal”.

Apesar de muitos pais se terem mostrado relutantes em fazer parte do programa, pela carga pejorativa que a palavra obesidade comporta, as famílias que aceitaram entrar neste projeto têm testemunhado de perto os resultados positivos da iniciativa, como explica Paulo Franco, que lembra o exemplo de filhos que dizem aos pais “não querem comer mais chocolate ou que optam por não comer certos iogurtes porque têm demasiado açúcar”. “O nosso objetivo também é alertar para educar: alertamos para que possam existir algumas correções do ponto de vista de alimentação e temos conseguido passar essa mensagem”, conta o vereador. O projeto é, por isso, para continuar, assegura Paulo Franco, que admite ainda a possibilidade de alargá-lo a mais crianças.

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