Pela terceira vez, tribunal dá razão aos moradores dos Casais Novos

Um terceiro acórdão dá novamente razão aos moradores dos Casais Novos, em Alenquer, no caso do trânsito de pesados na localidade e, em específico, na Avenida da Juventude e na Rua do Batalheiro.

Alimentando um cenário que se arrasta há anos, o trânsito de pesados, nomeadamente de camiões da empresa Santos e Vale, com armazéns na zona do Passinha, continua a afetar os moradores deste bairro e dos Casais Novos, localidades da União de Freguesias de Alenquer. No seguimento deste desfecho, a Voz de Alenquer falou com Uriel Oliveira, morador dos Casais Novos, que relatou, sucintamente, esta recente decisão judicial.

“O Supremo Tribunal coloca aqui a saúde acima dos interesses económicos”, começou por explicar Uriel Oliveira, acrescentando que esta decisão “é tal e qual os outros dois [acórdãos], que nos foram favoráveis [aos moradores]”. De acordo com Uriel Oliveira, esta deliberação manifesta a importância do descanso, “nomeadamente numa questão em que o licenciamento não foi para ali [Avenida da Juventude]. O foco é que não foi licenciado para ali o tráfego de pesados, ou seja, não há qualquer estudo de tráfego para aquela rua”. O morador prossegue o relato, sublinhando que existe um despacho da Câmara Municipal de Alenquer “a dizer para a Câmara não considerar aquela rua e outras duas como vias de escoamento de trânsito da Santos e Vale, e, nesse sentido, apesar de a via não ser inibida ao trânsito de pesados, os moradores têm razão e têm direito ao descanso. Os três acórdãos vêm sempre nesse sentido. Não é ali que está licenciado o trânsito”.

Apesar da colocação de sinalização por parte da autarquia, segundo Uriel Oliveira, o controlo continua por fazer: “[A Câmara] colocou lá a sinalização, mas não tem feito qualquer fiscalização, uma vez que os camiões continuam a passar”, sendo os intervalos mais críticos ao início da noite, “entre as 21H45 e as 22H50”, e durante a madrugada, “no período das 04H00 da manhã”. A limitação imposta pela Câmara Municipal de Alenquer abrange um intervalo de tempo superior ao decretado pelo tribunal, abarcando um período de 12 horas, entre as oito da noite e as oito da manhã, mas, apesar da determinação e da sinalização, “alguns condutores não cumprem”.

Processo vai continuar

Este é o terceiro acórdão a reforçar a posição dos moradores dos Casais Novos neste caso. Após o primeiro resultado a favor dos populares, a empresa Santos e Vale, ao contrário da Câmara Municipal de Alenquer, recorreu da decisão, circunstância da qual voltou a sair derrotada, uma vez que o segundo acórdão deu igualmente razão aos moradores. Um novo recurso por parte da empresa culminou neste terceiro acórdão, que segue a linha dos anteriores. Neste momento, apenas a empresa pode prosseguir com o recurso, uma vez que a Câmara perdeu a oportunidade de recorrer inicialmente, decisão para a qual tinha um prazo de 30 dias.

Nas palavras de Uriel Oliveira, “a empresa pode recorrer, mas a recorrer é só para o [Tribunal] Constitucional, e é do entendimento da advogada que nos está a acompanhar que [a situação] não é matéria de Constitucional”. Para o morador, este é o terceiro acórdão a dar razão aos populares dos Casais Novos, o que representa “três juízes diferentes, três tribunais diferentes a dar razão sobre a mesma matéria. Isto dá-nos muita força para o processo principal”, disse, aditando que “vamos avançar para pedir o dano de indemnizatórios. Este processo vai ser também contra a empresa e a Câmara Municipal, portanto é nos mesmo moldes”.

Uma vez que o processo se arrasta há muito tempo e o Executivo Municipal mudou, na sequência das Eleições Autárquicas de 2025, Uriel Oliveira afirmou que já expôs a situação, através da iniciativa “Porta Aberta” da Câmara Municipal de Alenquer: “Fui falar sobre o PDM [Plano Diretor Municipal] e sobre a via que lá está prevista, uma via para escoamento de trânsito daquela zona industrial”, disse, destacando que, dada esta referência, “andamos atentos à consulta pública do PDM”.

Scroll to Top