Odílio Rodrigues é o vice-presidente, mas foi o impulsionador da nova direção. Foi no fim do debate realizado pela Voz de Alenquer com os candidatos à Freguesia de Ota, para as eleições autárquicas de 12 de outubro, que Teresa Antão, presidente da comissão que geria a coletividade e candidata pela coligação TODOS, apelou para que a coletividade não fechasse portas. Odílio sentiu-se tocado pelo apelo, falou com o cunhado e decidiu constituir uma direção. “Nessa noite, já não dormi nada”, revelou à Voz de Alenquer. Este era já um tema que abordava com o cunhado, o atual presidente, mas desta vez o assunto foi mais sério. “O meu avô e o meu pai trabalharam muito para a construção desta casa e eu pensei que isto não podia fechar”, revelou Odílio, que começou a percorrer alguns cafés em Ota para conseguir arranjar os nomes suficientes para constituir a direção. “Estávamos a uma semana da assembleia e não tínhamos conselho fiscal. Então reuni com a comissão e disse à Teresa que, para existir direção, eles tinham de assumir o conselho fiscal”, revelou o atual vice-presidente. Depois do desafio aceite, os novos órgãos da coletividade foram eleitos com maioria absoluta na Assembleia Geral de 17 de outubro.
Aniversário foi um desafio
O Centro Social Recreativo e Desportivo de Ota comemorou 44 anos no início do mês de dezembro, e não foi o pouco tempo de mandato que impediu a nova direção de organizar as celebrações de aniversário. Num vasto programa, que arrancou a 3 de dezembro, com o hastear da bandeira e o corte do bolo de aniversário, os 44 anos da coletividade de Ota contaram também com um almoço no dia 6 de dezembro, com atuações na matiné, missa e romaria ao cemitério no dia seguinte e ainda um concerto. Para terminar, realizou-se uma vacada no dia 8 de dezembro. “Foi tudo muito rápido, mas, apesar de tudo, o balanço é positivo. Correu melhor do que esperávamos”, adiantou a direção. Andreia Silva, tesoureira da direção, disse que a fasquia era “alta, mas cumprimos o objetivo”.
“O centro é o ponto de encontro das pessoas”
Maria Emília Honrado faz parte da direção, mas também pertenceu à comissão de gestão, e recordou que no início não foi fácil: “No princípio, foi difícil, porque existia uma dívida muito grande. Tivemos de fazer uma limpeza grande na coletividade”. Foi com alguns eventos que a comissão conseguiu algum dinheiro, mas também com a boa vontade de todos. “Mantivemos o bar aberto, para não fecharmos aos sócios. Negociámos as dívidas e pagámos tudo”, sublinhou Maria Emília. Com alguma emoção, recordou que viu “esta casa nascer. O meu pai e o meu vizinho deram a água e a luz para se fazer esta casa e trabalharam muito aqui. Eu nunca faltei a esta casa. O centro é o ponto de encontro das pessoas”.
“Um papel importante na sociedade”
Sobre os projetos futuros, a direção referiu que está a ser feito um plano de atividades, mas revelou alguns dos objetivos. Bruno Severino, um dos elementos da direção, disse que “o centro tem um papel importante na sociedade” e que é importante “a porta estar aberta”. Atualmente, o espaço acolhe as aulas da UTI (Universidade da Terceira Idade de Alenquer), em parceria com a Câmara Municipal de Alenquer, algo que ocupa o tempo dos mais idosos de Ota. Foi também na coletividade que se realizou a Festa de Natal das crianças da Escola de Ota. O bar do Centro Social Recreativo e Desportivo de Ota está aberto todos os dias, entre as 12H e as 23H.
Atualmente, o espaço recebe aulas de pilates e de hip hop, mas o objetivo passa por “aumentar a oferta desportiva para a comunidade”. A partir de janeiro vai estar disponível um gabinete de massagens e em 2026 a direção pretende voltar a organizar o Baile da Pinha e o Baile de Máscaras, como “outras tradições que se foram perdendo e de que as pessoas vão falando”. Bruno Severino terminou afirmando que o objetivo é criar “um espaço intergeracional, onde todos se sintam bem”.

