Passinha: Assembleia Municipal recomenda processo contra empresa Santos e Vale

A Assembleia Municipal de Alenquer aprovou, na sessão de 25 de junho, uma recomendação apresentada pelo Partido Socialista (PS) para mitigar os impactos do tráfego de veículos pesados no lugar da Passinha, reforçar a segurança rodoviária e analisar a possibilidade de colocar um processo judicial contra a empresa Santos e Vale.

A recomendação socialista, apresentada pelo deputado Diogo Carvalho, propõe que a Câmara Municipal realize, no prazo de 90 dias, uma avaliação técnica e jurídica para determinar se existem fundamentos para agir judicialmente contra a empresa promotora da plataforma logística, com base em eventuais desconformidades ou omissões no processo de licenciamento. O documento prevê ainda a apresentação de um relatório à Assembleia Municipal com as conclusões da análise e as eventuais medidas legais a adotar.

Entre as recomendações aprovadas constam também a aquisição de um equipamento móvel de controlo de velocidade para a Polícia Municipal, o reforço da fiscalização rodoviária na Passinha, a instalação de semáforos de controlo de circulação e de sinalização luminosa, bem como o lançamento, com a maior urgência legal possível, do concurso para o troço da nova variante.

Durante o debate, o deputado do CDS, João Galvão Teles, recordou que alertou pela primeira vez para os problemas associados ao projeto há seis anos, quando a construção do centro logístico da Santos e Vale ainda se encontrava no início. O eleito afirmou que, na altura, as suas preocupações foram desvalorizadas, recordando declarações do então deputado municipal João Nicolau, que considerava o projeto um sinal de desenvolvimento, e do então presidente da Câmara, Pedro Folgado, que garantia que os acessos estavam devidamente acautelados.

Galvão Teles acusou o PS de apresentar uma proposta “hipócrita”, defendendo que os socialistas demoraram seis anos a reconhecer o erro. O deputado questionou ainda a tentativa de “diluir responsabilidades” da autarquia no licenciamento do empreendimento, afirmando que o processo que analisou, juntamente com Luís Barros Mendes, não corresponde ao que foi efetivamente construído e que era previsível a circulação de veículos pesados pela Passinha. Defendeu ainda a proibição da circulação de pesados durante o período noturno naquela localidade.

Também Amélia Caetano, da CDU, responsabilizou o PS pelo processo, recordando que o licenciamento foi assinado por uma vereadora socialista. A deputada afirmou que cabe esclarecer se as responsabilidades pertencem à Câmara ou ao promotor, garantindo que a CDU “não conta para branquear responsabilidades deste processo”.

Na resposta, Diogo Carvalho afirmou existir consenso quanto à necessidade de analisar rapidamente a situação, considerando haver fundamento para a avaliação jurídica proposta. O socialista discordou, contudo, das restrições ao trânsito sugeridas pelo CDS, por entender que poderiam causar prejuízos, reiterando a necessidade de avançar rapidamente com a nova variante.

A recomendação foi aprovada com os votos favoráveis da bancada do PS e dos presidentes de junta independentes, enquanto os restantes deputados optaram pela abstenção.

Partidos de direita também apresentaram recomendações obre a Passinha

Seguiu-se a discussão de uma proposta conjunta apresentada por PSD, CDS e IL sobre o tráfego de pesados no acesso à plataforma logística da Santos e Vale. Amélia Caetano afirmou que, ao contrário da proposta socialista, este documento não procurava “branquear” responsabilidades e anunciou o voto favorável da CDU.

Diogo Carvalho contrapôs que o objetivo do PS era apresentar uma solução juridicamente sustentada, alertando mais uma vez que algumas das medidas propostas pela oposição poderiam acarretar encargos financeiros para o município.

Na votação, PSD, CDS, IL, CHEGA e CDU votaram a favor, enquanto PS e independentes votaram contra. Verificou-se um empate de 16 votos a favor e 16 contra, tendo a proposta sido rejeitada através do voto de qualidade do presidente da Assembleia Municipal.

O CHEGA apresentou igualmente uma recomendação com medidas urgentes para minimizar os impactos do tráfego de pesados na Passinha. A proposta defendia a criação de um acesso provisório alternativo, recorrendo ao terreno entretanto adquirido pela autarquia e envolvendo a empresa Santos e Vale, bem como a atribuição de apoios aos moradores mais afetados, nomeadamente para isolamento térmico das habitações.

A CDU anunciou a abstenção, considerando que o documento continha medidas com as quais concordava, mas também outras que levantavam reservas. Diogo Carvalho, do PS, afirmou que um acesso provisório poderia comprometer a futura construção da variante, defendendo que o processo administrativo é complexo e reforçando o apelo à rápida execução da nova infraestrutura. Hugo Santos, do CHEGA, esclareceu que a proposta previa a solução alternativa apenas caso esta fosse considerada viável.

Na votação, apenas o CHEGA votou a favor. PSD, CDS, IL e CDU abstiveram-se, enquanto PS e independentes votaram contra, determinando a rejeição da recomendação.

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