“Vamos ao Teatro” decorre em Alenquer até ao final de abril 

A 9º edição do “Vamos ao Teatro” arrancou dia 28 de fevereiro e decorre até 25 de abril. A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal de Alenquer, em parceria com a Alenpalco, traz 37 sessões, distribuídas por 15 eventos.

Com proposta para todas as idades, o “Vamos ao Teatro” apresenta um cartaz que vai de teatro ao circo contemporâneo, da comédia à revista e aos workshops. A iniciativa percorre várias localidades do concelho, como Alenquer, Carregado, Casais Novos, Ota, Refugidos, Labrugeira, Bairro, Camarnal, Paiol e Aldeia Gavinha, e visa reforçar a aposta numa “programação descentralizada e próxima da comunidade”.

À Voz de Alenquer, a vereadora Cláudia Luís salienta que o objetivo é reforçar o acesso à cultura e a valorização da criação artística através de diferentes agentes locais: “Temos aqui um programa vasto, descentralizado, de modo a levar o teatro a todas as partes do nosso concelho”.

A edição deste ano arrancou com a tertúlia “Celebrar a Memória: Centenário de Manuel Gírio”, na Biblioteca Municipal, que foi transmitida pela Voz de Alenquer. Ainda no âmbito da valorização da memória, a Aldeia Gavinha vai receber uma visita guiada ao Espaço Memória Palmira Bastos.

Para os mais novos, destaca-se “Era uma vez Portugal”, da MyheARTheatre, que revisita a História de Portugal de forma interativa, “O Sapo Apaixonado”, que junta fantoches e oficina criativa, e “De cá para lá”, uma experiência sensorial destinada a bebés e crianças.

A programação inclui ainda “A Sapateira Prodigiosa”, de Federico García Lorca, no Teatro Ana Pereira, e a comédia de humor negro “Sexta-Feira 13”, no Auditório Damião de Góis. A criação contemporânea está representada por “A Massa” e pela leitura encenada “Teatralmente Poético: Luís de Camões, uma voz escrita!”.

Também o stand-up comedy volta a marcar presença com o espetáculo “Jel – Quem te viu e quem te vê”. Segundo Simão Biernat, responsável pela Alenpalco, trata-se de uma aposta que “capta o interesse dos jovens.”

A principal novidade desta edição diz respeito à aposta no circo contemporâneo, através de “Monotrux” e “O Espetáculo do Palmito: “todos os domingos às 15h30 temos circo gratuito para todas as famílias, na Romeira ou no Jardim do Carregado”, revela Simão Biernat.

Além dos espetáculos, a programação inclui o workshop “Iniciação ao Teatro”, dirigido a jovens e adultos interessados em desenvolver competências de interpretação: “Vamos falar de técnicas, um bocadinho da história do teatro, do que é que é o teatro e como começou”, explica o responsável da companhia.

Apesar do crescimento da iniciativa, ainda existem desafios: “A cada ano que passa temos mais dificuldade em trazer companhias, que têm exigências técnicas cada vez maiores. É urgente arranjarmos o auditório ou outro espaço, transformando-o num verdadeiro equipamento cultural,  com condições para receber estas e outras atividades”, reconhece a autarca.

Habitualmente concentrado em março, o “Vamos ao Teatro” prolonga-se este ano até 25 de abril. Para Simão Biernat, o objetivo é claro: “Acredito que os alenquerenses merecem teatro de qualidade e profissional.”

“Celebrar a Memória: Centenário de Manuel Gírio” deu pontapé de saída do “Vamos ao Teatro”

No sábado, dia 28 de fevereiro, a Biblioteca Municipal de Alenquer recebeu a tertúlia “Celebrar a Memória: Centenário de Manuel Gírio”. Entre recordações e memórios, houve oportunidade de escutar leituras encenadas de quadros escritos por Manuel Gírio, um dos nomes maiores do teatro alenquenrense do século XX. O escritor e encenador faria este ano 100 anos. Entre os amigos estava Maria Luísa, que muito privou com Manuel Gírio, em palco e fora dele, e partilhou memória e recordações dos tempos áureos do teatro de revista. A sessão, moderada poe João Honrado, foi transmitida em direto na Voz de Alenquer, tanto na emissão em FM como na página de Facebook.

Manuel Gírio escreveu várias peças ao longo de mais de meio século entre a década de 1950 e a primeira década de 2000. A primeira revista, escrita em colaboração com o tio, foi levada à cena pela primeira vez em 1954 em Alenquer com o titulo de “A Cepa Torta”.

Arraial Saloio, Alenquer de Cima a Baixo, Florista da Rua, A Força do Povo, a Menina Pobre e os Cómicos, os Cómicos Vêm Aí, a Nova História da Cigarra e da Formiga, são outros dos nomes de Peças e revistas que escreveu ao longo da sua vida.

Em plena década de 1980, no declínio da revista à portuguesa, provou que o género ainda estava bem vivo no coração do seu público. Água Pé Nova estreada em 1986 foi um êxito estrondoso permanecendo vários meses em cena.

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