O futuro do Palácio do Brandão, um dos edifícios mais emblemáticos e degradados de Alenquer, pode estar prestes a sofrer uma reviravolta. Segundo apurámos, um grupo de investimento de Macau, com vasta experiência no setor do jogo e hotelaria de luxo na Ásia, apresentou uma proposta informal à Câmara Municipal para a concessão e reabilitação total do imóvel.
O projeto, cujas primeiras projeções 3D a Voz de Alenquer teve acesso, propõe um conceito de “Boutique Casino”, fundindo a arquitetura neoclássica do palácio com estruturas de vanguarda tecnológica.
As imagens do projeto revelam uma intervenção audaz. A traça original do Palácio do Brandão será integralmente recuperada, mantendo o seu tom rosa pálido e as cantarias originais, mas será ladeada por dois imponentes módulos de vidro estrutural. Estas “caixas de luz”, onde se lêem os néons “CASINO” e “ALENQUER”, servirão para acolher as principais salas de jogo e áreas de restauração, permitindo uma vista panorâmica de excepção.
A entrada principal será feita através dos portões históricos de ferro e pedra, que serão restaurados para devolver a imponência à chegada dos visitantes. No exterior, os jardins serão redesenhados num estilo francês geométrico, com buxos iluminados e fontes, criando um percurso de lazer integrado na nova lógica urbanística da zona.
Em declarações exclusivas à nossa redação, Simon Kuok, representante do consórcio macaense, explica a escolha da Vila Presépio:
“Portugal tem um laço histórico inquebrável com Macau e vemos em Alenquer um potencial inexplorado. O Palácio do Brandão tem uma mística única. O nosso objetivo não é apenas criar uma sala de jogo, mas um destino turístico de referência que combine a história europeia com o glamour dos casinos asiáticos. Queremos que este seja o ‘Monte Carlo’ da região Oeste.”
O primeiro passo decisivo acontece já na próxima reunião de Câmara, a 6 de abril, onde será votado o Projeto de Regulamento de Exploração de Modalidades Afins de Jogos de Fortuna ou Azar. Embora a exploração plena de casino dependa de uma concessão estatal, o regulamento municipal é o “tapete verde” necessário para o arranque do investimento.
Se o processo avançar sem entraves burocráticos, as obras deverão iniciar-se em 2028, com a inauguração prevista para o verão de 2030. Para já, o executivo municipal parece ver com bons olhos a proposta, que resolve um problema urbanístico de décadas e promete injetar milhões na economia local.









