O problema da falta de médicos no concelho de Alenquer tem estado na ordem do dia, em grande parte, devido às várias ações que a Comissão de Moradores do Carregado tem levado a cabo para reivindicar melhores condições para o Centro de Saúde do Carregado.
João Fernando, representante da Comissão de Moradores do Carregado, revela que centenas de pessoas se juntaram à vigília de 24 horas, realizada no dia 22 e 23 de Setembro, para demonstrar o descontentamento contra a falta de condições do Centro de Saúde. “É uma exigência que fazemos ao Governo, é uma situação que está consignada na Constituição da República, o direito à saúde, uma coisa que não se verifica, pelo menos, em condições condignas. Vamos prosseguir sempre com várias ações até conseguirmos melhorar as condições do Centro de Saúde, porque de facto esta unidade não corresponde minimamente ao exigido”, explica João Fernando, que dá o exemplo das pessoas que ficam na unidade de saúde “desde as sete da tarde para conseguirem ter uma consulta”.
A Comissão de Moradores reivindica a existência de pelo menos sete médicos de família no Centro de Saúde do Carregado, além da colocação de mais enfermeiros.
A nível local, os moradores esperam que a Câmara Municipal assuma “um papel mais ativo”, como explica João Fernando, que dá o exemplo de outras câmaras, “que devido às dificuldades existentes, contrataram médicos, e criaram meios de fixar os médicos”.
Mas para Pedro Folgado, reeleito Presidente da Câmara Municipal de Alenquer, a solução deveria partir do Estado Central: “A Ministra da Saúde sugeriu a hipótese de nós comparticiparmos a renda da casa ou o passe dos médicos. Eu disse que não era favorável a esse assunto, no entanto, não fecho a porta a isso. Portanto, é natural que construamos um regulamento e que o analisemos em Reunião de Câmara e depois em Assembleia Municipal para fazer face a este impacto negativo que é a falta de médicos no concelho. Mas para mim deveria ser o Estado Central a resolver o problema, porque depois também pode surgir uma competitividade desonesta entre os municípios”.
Para já o presidente da autarquia garante que vai “reforçar a pressão” junto do Ministério da Saúde e aguardar que a ARSLVT “honre a sua parte do acordo” com a colocação de médicos de família na Unidade de Saúde Familiar do Carregado, quando as obras estiverem concluídas.


