Autarcas contra encerramento das urgências de obstetrícia de Vila Franca de Xira

Numa nota conjunta, os cinco presidentes dos municípios servidos pelo Hospital de Vila Franca de Xira manifestam a sua posição pública acerca do encerramento das urgências obstétricas da unidade hospitalar.

Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira são os cinco municípios servidos pelo Hospital de Vila Franca de Xira, cujos presidentes de Câmara emitiram um comunicado conjunto de contestação ao anunciado encerramento das urgências de obstetrícia de Vila Franca de Xira, garantindo que vão continuar a agir de forma concertada, para “defender o direito das populações a cuidados de saúde de proximidade, qualidade e segurança”.

Segundo esta nota, os autarcas consideram “esta decisão inaceitável, insensível e tomada sem qualquer diálogo institucional, tendo sido conhecida apenas através da comunicação social”. O comunicado sublinha que “esta medida coloca em risco cerca de 250.000 habitantes”, levando por isso os presidentes de Câmara a alertar “para o impacto profundo que tal encerramento teria na segurança das populações”.

As consequências das tempestades de fevereiro, que levaram ao corte ou à deterioração de vias de acesso, são igualmente realçadas no comunicado, apontamento ao qual é acrescentada a “inexistência de transportes públicos diretos e regulares para o Hospital de Loures, apontado como alternativa”. Para os presidentes de Câmara, este quadro “agrava de forma significativa a vulnerabilidade das grávidas e das famílias mais isoladas”.

O caso de Alenquer

Em declarações à Voz de Alenquer, João Nicolau, presidente da Câmara Municipal de Alenquer, disse que a decisão surpreendeu os autarcas e que estes não tiveram “informação oficial sobre essa intenção nem qualquer contacto ou reunião para avisar sobre a intenção do Governo ou sobre esta reorganização. Estamos muito preocupados com isto, porque faz-nos muita falta [ter] as urgências obstetrícias abertas”.

No caso de Alenquer, como aponta o autarca, há localidades a mais de 30 quilómetros do Hospital de Vila Franca de Xira, que, com a transferência da urgência para Loures [para o Hospital Beatriz Ângelo], passariam a estar a mais de 50 quilómetros e uma hora de caminho, situação que descreve como “crítica e inaceitável, em casos de emergência obstétrica”.

A fechar o comunicado conjunto, os autarcas enfatizam o facto de terem solicitado, sem sucesso, uma audiência a Ana Paula Martins, Ministra da Saúde. João Nicolau sublinha ainda que não houve, até ao momento, informação sobre a hipótese de serem recebidos pela ministra e que “não é compreensível que, além de não sermos recebidos, sejamos confrontados com decisões que afetam de forma tão grave a segurança das nossas populações”.

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