Em conversa com a Voz de Alenquer, a presidente Andreia Costa salientou que o crescimento da associação trouxe uma maior consciência das responsabilidades assumidas. “Quanto mais fazemos, mais percebemos que há muito a fazer e há esse sentimento de responsabilidade e de compromisso para com as pessoas”.
Sobre o significado da celebração do aniversário, a responsável sublinhou a importância de todas as pessoas que ajudaram a construir o projeto. “Há sempre aquela força que diz que é para continuar e que as pessoas e as crianças precisam de nós”. A atuação da Rising Child tem sido orientada pelas necessidades concretas que vão sendo identificadas no concelho.
Relativamente à recetividade das famílias e da comunidade, Andreia Costa reconheceu que ainda existem desafios significativos. “A sociedade não está preparada para isso. Os pais vão ter de enfrentar muitas barreiras e eles próprios têm esse problema de aceitar”, refere, acrescentando que, em muitos casos, existe resistência à participação em iniciativas de partilha e apoio mútuo: “muitas vezes eles querem ajuda mas depois têm alguma dificuldade em lidar com a situação de o filho ser diferente e de ter de partilhar estas experiências”.
Apesar dos progressos civilizacionais alcançados, para afastar os estigmas, Andreia Costa considera que há ainda um longo caminho a percorrer. “Temos de mudar como seres humanos. Apesar da pessoa ter aquelas características, pode ser uma pessoa igualmente funcional, produtiva e necessária à sociedade”, destacou.
No que diz respeito ao futuro, a Rising Child tem várias iniciativas. Entre elas destaca-se o projeto Além Barreiras, que leva terapeutas da fala às escolas para dar apoio às crianças cujas famílias não tem possibilidades de pagar o acompanhamento.
Uma das grandes novidades acontece em março, com o arranque do projeto de formação dos voluntários. “Vamos formar pessoas tanto na área da deficiência como no voluntariado, para poderem avançar connosco nos nossos projetos. Iremos continuar com o nosso projeto também fora de Portugal, em São Tomé e Príncipe”.
O ano de 2026 termina com o Terceiro Congresso da Rising Child, dedicado ao temas da acessibilidade e para abordar a forma como a sociedade está estruturada para pessoas com deficiência.



