Exposição “Entre Linhas” reúne comunidade escolar através da arte

Inaugurada a 25 de junho, no Mercado Municipal de Alenquer, a exposição “Entre Linhas: Tecer ligações através da arte” é o resultado de uma residência artística desenvolvida por centenas de alunos.

Promovido no âmbito do Plano Nacional das Artes, o projeto foi desenvolvido pela artista residente Gisela Laureano e contou com cerca de 500 alunos do 1º ao 3º ciclo do ensino básico do Agrupamento de Escolas Damião de Goes, do Centro de Apoio à Aprendizagem, professores, famílias, Universidade da Terceira Idade e outros elementos da comunidade local.

Inspirada na tradição têxtil de Alenquer, a exposição apresenta esculturas e painéis criados por 19 turmas de diferentes estabelecimentos de ensino. As obras exploram conceitos como a identidade, o território, a criatividade e o sentimento de pertença, recorrendo, em muitos casos, à utilização de materiais reciclados.

À Voz de Alenquer, Gisela Laureano explicou que o objetivo do projeto foi tornar visíveis “os fios invisíveis que ligam as pessoas e que constroem a comunidade”, utilizando a arte com espaço de encontro, participação e criação: “Mais do que trabalhos manuais, vão encontrar as esculturas realizadas pelas crianças da escola da vila com materiais reciclados, que quiseram representar o fio que as liga à comunidade”, afirmou.

Criada pela Escola Básica de Cheganças, a “Árvore Comunitária” é o ponto de partida para um percurso expositivo que inclui oito esculturas inspiradas no desafio “Da janela da minha escola eu vejo…”. Desenvolvidas pelos alunos da Escola Básica de Alenquer, estas peças representam a vila através do olhar das crianças, retratando a paisagem, edifícios emblemáticos, memórias e outros elementos que consideram fazer parte da identidade local.

O percurso termina com seis painéis coletivos produzidos por turmas do 2º e 3º ciclos e por uma turma do Centro de Apoio à Aprendizagem (CAA), que refletem a visão dos alunos sobre uma escola mais inclusiva, criativa e participativa. Para Sandra Ribeiro, encarregada de educação de uma aluna da Escola Básica Pêro de Alenquer, estes trabalhos vão além da dimensão artística: “Os alunos sabem exatamente o que querem e aquilo de que precisam para que a escola seja o sítio deles e explicaram isso através da arte. O que nós precisamos agora é pegar nessas ideias e concretizá-las”, defendeu, considerando que os painéis constituem uma forma de intervenção e de participação dos próprios alunos na construção da escola.

Ao longo de seis meses de trabalho, um dos principais desafios passou por coordenar o contributo das 19 turmas participantes. Segundo Gisela Laureano, parte do projeto foi sendo construída à medida que os alunos davam o seu contributo criativo: “O projeto estava pensado, mas não estava todo feito, porque havia aqui uma parte que tinha a ver com a inter-relação de todos e com aquilo que cada um queria dar ao projeto”, explicou.

Sobre a escolha do Mercado Municipal como espaço expositivo, Ana Mafalda, coordenadora intermunicipal do Plano Nacional das Artes para a região da Lezíria do Tejo,  destacou a intenção de aproximar a produção artística da população: “Transformar o Mercado Municipal num polo cultural é sempre positivo, porque permite que muito mais pessoas tenham contacto com este trabalho.”

A responsável considera ainda que este tipo de residências artísticas representa um dos eixos centrais da estratégia do Plano Nacional das Artes nas escolas, por promoverem a participação dos alunos e contribuírem para a transformação do contexto educativo. “É um projeto muito motivador para os alunos e que tem uma verdadeira capacidade de transformação da escola”, afirmou, considerando que, apesar do tempo limitado de intervenção, “cada turma conseguiu criar uma obra com muito significado, assente no tema das ligações que nos unem, algo particularmente relevante no contexto da sociedade atual”.

A exposição pode ser visitada no Mercado Municipal de Alenquer até ao dia 10 de julho.

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