A proposta relativa à prestação de contas de 2025, incluindo o inventário de bens, direitos e obrigações patrimoniais, foi aprovada em reunião de Câmara, refletindo diferentes posições entre executivo e oposição.
Durante a apresentação, o presidente da autarquia, João Nicolau, destacou o aumento da despesa em cerca de 1,8 milhões de euros face ao ano anterior, sublinhando que as funções sociais foram a principal prioridade ao longo do ano. Entre as medidas, destacou o programa de apoio à aquisição de medicamentos e os apoios alimentares.
No plano financeiro, o autarca referiu que o município registou um resultado líquido positivo de 1,6 milhões de euros em 2025. Destacou ainda indicadores como a autonomia financeira, que se situa nos 92%, acima do mínimo de 35%, e a liquidez geral, fixada em 3,3, também acima do valor de referência.
Na discussão do ponto, o vereador independente Tiago Pedro considerou que o documento representa um retrato financeiro do executivo, incluindo o trabalho desenvolvido no mandato anterior, justificando assim o seu voto favorável. Ainda assim, classificou o valor da receita como “simpático”.
João Nicolau acrescentou ainda o impacto do aumento dos combustíveis nas contas municipais, apontando este fator como uma pressão adicional sobre a despesa.
Por parte do PSD, Francisco Guerra afirmou que as contas “não são uma política que é a nossa”, lembrando que o partido não integrou o executivo no último mandato. Apesar de não apontar irregularidades que justificassem o voto contra, manifestou preocupação com o saldo de gerência, que atingiu cerca de 7 milhões de euros, considerando que corresponde a projetos que ficaram por concretizar.
Em resposta, o presidente da Câmara defendeu que a existência de saldo de gerência é normal, desde que não atinja valores excessivos.
Já o vereador do CHEGA, Carlos Sequeira, votou contra a proposta, apontando problemas estruturais nas contas municipais, nomeadamente o peso da despesa com pessoal, que, na sua perspetiva, limita a capacidade de investimento.
João Nicolau concluiu que, apesar de o orçamento ser um instrumento político, o documento apresentado é de natureza técnica e reflete fielmente a execução financeira do município.
A proposta foi aprovada com os votos favoráveis do PS e do vereador independente Tiago Pedro, a abstenção dos vereadores do PSD e o voto contra do CHEGA, seguindo agora para apreciação na Assembleia Municipal.



